O primeiro milagre foi o da pesca milagrosa (5,4-10). Junto a este milagre havia uma graça grandiosa: o quase rompimento das redes. Pedro experimentou grandes dificuldades em puxar a redes para não se romper.
Foi assim na vida do leproso que foi curado por Jesus (5, 12-16). Depois do milagre Jesus ordenou duas coisas difíceis a ele: ficar calado e ir se apresentar ao sacerdote. Isto porque o sacerdote emitia uma declaração pública de repúdio a todo leproso. Isto é, o leproso era a pessoa mais repudiada pelo sacerdote.
Assim foi com o paralitico curado por Jesus; ele experimentou a dificuldade de ir embora para casa carregando sua maca a pedido do próprio Cristo (5, 17-26). A maior lembrança da paralisia era a maca, agora curado, ele jamais desejaria se aproximar dela.
Essas dificuldades atrás de todos os milagres de Jesus são os “pós-operatórios”. Não há nenhuma cirurgia no corpo que não seja acompanhada de um cuidadoso “pós-operatório”, ou seja, regimes, exercícios, mudança de hábito bem feitos são mais poderosos na cura do que a própria operação. Uma boa cura vem de uma boa recuperação.
Todo milagre de Jesus exige um “pós-operatório” da alma. É nesse “pós-milagre” que consiste a conversão do cristão, porque é dali que a alma do fiel ganhará força na fé. Afinal acreditar em milagre todo ser humano acredita, inclusive o ateu quando está prestes a morrer. Mas, é depois do milagre que a graça vale a pena; se o milagre salva um homem, o pós-milagre salva a humanidade por um. Porque é no “pós-operatório” que Jesus ressuscita e forma outros “Cristos”, como fez com Pedro que foi chamado a ser pescador de homens. O milagre invisível do pós-milagre ressuscitar novos “Cristos”.
Esse capítulo 5 termina numa proposta de “pós-operatório” brilhante: colocar vinhos novos em odres novos, novo no novo (5,33-39). O que é velho dever ser superado, o que acostumamos deve ser mudado, mesmo que tudo fora bom. Isto significa que depois da experiência de Jesus é natural tudo caminhar para mudanças. Não há como experimentar Jesus e continuar experimentando as velhas amizades, nos velhos lugares, com a vida velha de sempre. Os amigos poderão ser os mesmos depois de Jesus, porém, renovados, se aceitarem. Caso contrário haverá muito suor no “pós-opertório”, ou às vezes, suor com choro.
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